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#15

Sinto-me farta até do que não vi.

Cansada das pessoas que não conheço.

O que pode fazer-me querer levantar-me todos os dias?

Nem desafios, nem o entusiasmo de os criar.

Nenhum prazer nem a esperança de o ter.

Apenas a obrigação de ter que seguir em frente,

Sem pensar,

Quando o que queria era ficar parada,

à espera dos créditos finais,

para não ter que sair no intervalo.

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#14

Bem-vindo ao nunca.

Onde nada acontece

e tudo poderia ter acontecido.

Às vezes,

cá dentro,

sinto-me assim.

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#13

Acordo. E levanto-me para ir deitar-me.

Estou cansada. Entorpecida.

Acordo, mas é da vida.

Dormia

enquanto fingia que vivia.

E agora quero viver

para dormir.

São horas, dizes.

Mas eu não ouço, pois procuro outras horas.

Aquelas em que encontrar-te

não dependia do sonho

que tivesse ao acordar.

Boa noite.

Vou-me deitar.

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#12

Há sítios onde fomos aos quais não queremos voltar.

Há outros que, tão perto, não conhecemos.

Ainda que longe, talvez voltar para casa seja sempre o único caminho.

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#11

Ás vezes

olhamos para dentro

E não nos vemos.

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#10

Pensava eu que esperava,

mas afinal o tempo

é só uma sucessão

inevitável de passados.

O que esperava já passou.

Inevitavelmente.

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#9

A vontade de levantar-me de manhã é cada vez menor. Não chegaria sequer a chamar-lhe vontade, porque é mais um sentido de responsabilidade que me obriga a acordar e sair da cama a horas que considero indecentes.

O mais estranho é que ultimamente até nos dias de suposto descanso perco essa vontade que deveria ser natural, pelo menos depois de dormir mais umas horas do que o habitual. Mas acho que este cansaço não é só físico. É um cansaço que vem de dentro.

Não sei como resolver o problema, porque infelizmente sei que é daqueles que pioram com o tempo. Inventar novos pretextos para a vontade? Instigar o sentido de responsabilidade? Ou simplesmente esperar que passe? (a vida?) Para alguém que não se ilude facilmente e que não consegue mentir a si própria é difícil encontrar novas motivações num mundo que me parece cada vez mais igual…

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#8

Ouço sirenes.

Será lá fora?

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#7

Às vezes páro, com calma, e não encontro.

Outras vezes, a maior parte delas, procuro com fúria e só encontro o que me vem parar às mãos. Talvez o resto não esteja simplesmente destinado a ser meu e o erro não resida nos planos falhados.

Às vezes quero ser outra.

Outras vezes sou apenas eu e talvez aí me engane menos. Pelo menos as verdades são maiores. Ou simplesmente mais sentidas.

Mas a verdade não se sente. Existe. Ou existe simplesmente tal e qual a sentimos?

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#6

Mentimos tanto a nós próprios que parece perfeitamente desculpável que consigamos fazê-lo repetidamente com os outros. Afinal, o maior mal é não termos consciência disso e exigirmos constantemente aos outros aquilo que não conseguimos admitir que não somos capazes de fazer.

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#5

E embora sonhe com algo mais, o medo parece interpor-se entre a vontade de avançar e os olhos fechados.

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#4

Às vezes pergunto-me como é que entre tantos caminhos à disposição só se consegue ver um beco sem saída.

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Em verdade, o único verdadeiro pecado mortal é a hipocrisia. Voltando à vaca-fria « O Caderno de Saramago
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#3

Exigimos demasiado. A nós. Aos outros.

Perdemos muito tempo. Tempo inútil para tarefas inúteis.

Ás vezes é preferível ficarmos sós. Sobretudo se estivermos entre gente.

Dizer adeus e voltar noutro dia.

Ou não voltar e ficar cá.

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We were fated to pretend. MGMT - Time To Pretend Lyrics
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